Diarreia que dura mais de quatro semanas, contínua ou indo e voltando, é considerada crônica e merece investigação, porque dificilmente é só uma virose que se repete. As causas mais comuns em adultos incluem intestino irritável, intolerâncias alimentares, efeito de medicamentos, doença celíaca e alterações da tireoide. A investigação começa pela história e por exames de sangue e de fezes, e a colonoscopia entra quando os achados ou os sinais de alarme pedem.
Uma semana o intestino está normal, na seguinte são três ou quatro idas ao banheiro por dia, e o ciclo se repete há meses. Quem vive isso costuma se acostumar, planejar saídas pensando no banheiro e tratar cada episódio como uma virose nova. Quando o padrão persiste, vale parar de tratar episódio por episódio e investigar a causa.
Aguda ou crônica: a diferença que muda a conduta
A diarreia aguda dura até duas semanas, costuma começar de repente e na maioria das vezes é causada por vírus, bactéria ou intoxicação alimentar. Ela melhora sozinha com hidratação. Quando o quadro passa de quatro semanas, contínuo ou em crises frequentes, ele é chamado de crônico, e a lista de causas prováveis muda completamente.
As causas mais comuns em adultos
- Síndrome do intestino irritável com predomínio de diarreia, muitas vezes com dor que alivia após evacuar.
- Intolerância à lactose ou a outros açúcares fermentáveis, como frutose e sorbitol de produtos diet.
- Medicamentos, como metformina, suplementos de magnésio, alguns antidepressivos e antibióticos usados recentemente.
- Doença celíaca, que pode aparecer em qualquer idade.
- Excesso de hormônio da tireoide.
- Má absorção de ácidos biliares, especialmente depois da retirada da vesícula.
- Infecções que persistem, como a giárdia.
- Colite microscópica, mais frequente depois dos 50 anos, que só aparece na biópsia.
As doenças inflamatórias intestinais também entram na lista, geralmente com outros sinais associados, e têm um caminho de investigação próprio.
O tipo de fezes dá pistas sobre onde está o problema. Fezes volumosas, claras, gordurosas e difíceis de dar descarga sugerem má absorção no intestino delgado ou alteração do pâncreas. Evacuações pequenas, frequentes, com urgência e às vezes muco apontam mais para o cólon. Diarreia que some com jejum costuma ter relação com algo ingerido, e a que continua mesmo sem comer levanta outras hipóteses.
O que a investigação costuma incluir
A história conta muito: se a diarreia acorda a pessoa à noite, se tem relação com refeições ou com algum alimento, se as fezes são volumosas e gordurosas ou pequenas e frequentes, se há urgência, e quando tudo começou. A partir daí os exames são escolhidos, em geral nesta ordem:
- Exames de sangue: hemograma, marcadores de inflamação, função da tireoide e sorologia para doença celíaca.
- Exames de fezes: pesquisa de parasitas e calprotectina fecal, que ajuda a separar inflamação de causa funcional.
- Testes respiratórios, quando a suspeita é intolerância a açúcares ou supercrescimento bacteriano.
- Colonoscopia com biópsias, quando os exames iniciais ou os sinais de alarme indicam.
Sangue nas fezes, perda de peso sem explicação, febre, diarreia que acorda à noite, sinais de desidratação, anemia, início depois dos 50 anos ou histórico familiar de câncer de intestino ou doença inflamatória intestinal pedem avaliação sem demora.
Como chegar mais preparado à consulta
Duas semanas de anotação com número de evacuações, consistência, horário, alimentos e remédios usados ajudam a encurtar o caminho. Para quem mora em São Paulo, na região do Campo Belo, a primeira avaliação com gastroenterologista pode ser feita por consulta online, e os exames de sangue e fezes são colhidos num laboratório perto de casa.
Enquanto a investigação acontece, a hidratação é a prioridade: água, soro de reidratação oral nos dias de mais evacuações e atenção a sinais como boca seca, urina escura e tontura ao levantar. Retirar alimentos por conta própria antes dos exames pode atrapalhar o diagnóstico, principalmente o de doença celíaca, que depende de o glúten ainda estar na dieta no momento da coleta.
O que a evidência ainda não resolve
Em uma parte das pessoas, mesmo depois de exames completos, a causa exata não fica clara, e o diagnóstico acaba sendo de um quadro funcional. Ainda falta um exame simples e disponível para confirmar a má absorção de ácidos biliares, que por isso muitas vezes é identificada pela resposta ao tratamento.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Procure avaliação profissional para o seu caso; em situações de emergência, busque atendimento imediato.
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