Gases, barriga inchada e diarreia depois de leite podem ser intolerância à lactose, mas os mesmos sintomas aparecem em outras condições, como intestino irritável e doença celíaca. A confirmação pode ser feita com teste respiratório ou com uma retirada e reintrodução orientadas. Mesmo quem tem intolerância costuma tolerar pequenas quantidades de lactose, e cortar todos os laticínios sem planejamento reduz o cálcio da dieta.
Muita gente tira o leite da dieta depois de uma semana ruim, e em seguida corta queijo, iogurte e tudo que tem derivado. Às vezes melhora, às vezes não, e a pessoa fica sem saber se o problema era mesmo a lactose. Antes de fazer um corte amplo, vale confirmar o que está acontecendo.
O que é a intolerância e como ela aparece
A lactose é o açúcar do leite, e para ser absorvida precisa ser quebrada por uma enzima do intestino, a lactase. Em muitos adultos a produção dessa enzima diminui com o tempo. A lactose não digerida chega ao cólon, é fermentada pelas bactérias e produz gás e água. A intolerância à lactose costuma dar sintomas de 30 minutos a 2 horas depois do consumo:
- Barriga inchada e gases.
- Cólica abdominal.
- Diarreia ou fezes amolecidas.
- Náusea, em algumas pessoas.
Esses sintomas não são exclusivos da lactose. Intestino irritável, doença celíaca e supercrescimento bacteriano podem produzir o mesmo quadro, e é por isso que o corte por conta própria às vezes não traz melhora.
Como confirmar
O teste respiratório do hidrogênio é o mais usado: a pessoa toma uma dose de lactose e o ar expirado é medido em intervalos, porque a fermentação no intestino aumenta o hidrogênio. Outra opção é a retirada orientada da lactose por algumas semanas, seguida de reintrodução, para ver se os sintomas acompanham. O teste genético indica predisposição, mas não confirma sintomas.
O teste respiratório exige preparo: jejum de algumas horas, dieta com pouca fibra e pouco açúcar fermentável na véspera e intervalo de algumas semanas depois de antibióticos ou de preparo para colonoscopia, que alteram as bactérias do intestino e podem distorcer o resultado. O laboratório passa as instruções, e vale conferir na consulta quais remédios suspender.
Há ainda a intolerância que aparece por um período, depois de uma gastroenterite, ou como consequência de outra doença do intestino delgado, como a doença celíaca. Nesses casos, tratar a causa costuma devolver a tolerância, e cortar o leite para sempre não faz sentido.
Se houver suspeita de doença celíaca, o exame de sangue deve ser feito antes de qualquer mudança no glúten, e esse ponto é conferido junto na mesma avaliação.
Intolerância não é alergia
A alergia à proteína do leite é uma reação do sistema imunológico, mais comum em crianças. Pode causar urticária, inchaço nos lábios, vômitos e, em casos graves, falta de ar, e não depende da quantidade. Produto zero lactose não protege quem tem alergia, porque a proteína continua lá.
Inchaço de lábios ou língua, falta de ar ou manchas pelo corpo logo depois de ingerir leite pedem atendimento imediato. Perda de peso, sangue nas fezes ou diarreia que acorda à noite também não combinam só com intolerância à lactose e precisam ser investigados.
Quanto dá para tolerar e como manter o cálcio
A maioria das pessoas com intolerância tolera cerca de 12 gramas de lactose por vez, o que corresponde a mais ou menos um copo de leite, principalmente quando consumida junto com uma refeição. Iogurte e queijos curados têm menos lactose e costumam ser bem aceitos. Os produtos zero lactose mantêm o cálcio do leite. Quem corta os laticínios precisa compensar com outras fontes, como vegetais verde-escuros, sardinha e bebidas enriquecidas.
Para quem mora em São Paulo, na Saúde ou no Jabaquara, a investigação pode começar por uma avaliação com gastroenterologista à distância, com o teste respiratório feito num laboratório perto de casa.
O que a evidência ainda não resolve
A correlação entre o resultado do teste respiratório e os sintomas do dia a dia não é perfeita: há quem tenha teste positivo e tolere bem o leite, e quem tenha teste negativo e sinta desconforto. Também não está claro por que a tolerância varia tanto entre pessoas com a mesma redução de lactase.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Procure avaliação profissional para o seu caso; em situações de emergência, busque atendimento imediato.
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