O teste respiratório mede hidrogênio e metano no ar expirado depois que a pessoa bebe uma solução de açúcar, como lactulose ou glicose. Um aumento precoce desses gases sugere fermentação no intestino delgado, o que apoia o diagnóstico de SIBO; metano alto aponta para o supercrescimento de arqueias, chamado IMO. O exame depende muito do preparo e tem falsos positivos e negativos, por isso o resultado só faz sentido junto com os sintomas e a história clínica.
O teste respiratório virou um exame muito procurado por quem vive com inchaço, gases e alteração no intestino. Ele é útil, mas responde a uma pergunta bem específica, e o resultado muda bastante conforme o preparo. Entender o que ele mede evita tanto o susto com um positivo quanto a falsa tranquilidade com um negativo.
O que o exame mede
O corpo humano não produz hidrogênio nem metano sozinho. Esses gases vêm da fermentação feita por micro-organismos do intestino e parte deles passa para o sangue e sai pela respiração. No teste, a pessoa bebe uma solução de açúcar e sopra em intervalos regulares. Se os gases sobem cedo, antes de o açúcar chegar ao cólon, isso sugere fermentação no intestino delgado, que é o que se procura na investigação de SIBO e IMO.
- Hidrogênio elevado precocemente: sugere supercrescimento bacteriano no intestino delgado (SIBO), mais associado a diarreia e inchaço.
- Metano elevado: sugere supercrescimento de arqueias (IMO), mais associado a intestino preso.
- Sem elevação: não sustenta o diagnóstico, mas não afasta todas as possibilidades.
O preparo que muda o resultado
Um preparo mal feito é a causa mais comum de resultado difícil de interpretar. Os detalhes variam entre laboratórios, mas costumam incluir: suspender antibiótico cerca de 4 semanas antes; na véspera, dieta pobre em fibras e alimentos fermentáveis, como feijão, pães integrais, frutas, leite e adoçantes; jejum de 8 a 12 horas; não fumar e não fazer exercício intenso no dia; e combinar antes a suspensão de laxantes, probióticos e outros remédios que o médico indicar. Durante o exame a pessoa fica em repouso, sem comer.
Os limites do exame
O teste é indireto: mede gás no ar expirado, não coleta bactérias do intestino. Trânsito intestinal rápido faz a solução chegar cedo ao cólon e pode gerar falso positivo. Algumas pessoas têm bactérias que produzem pouco hidrogênio, o que gera falso negativo. Os critérios de positividade também variam entre protocolos. Por isso o mesmo paciente pode ter resultados diferentes em laboratórios diferentes, e o laudo sozinho não fecha diagnóstico.
Como ler o laudo
O laudo costuma trazer uma tabela com os valores de hidrogênio e metano em partes por milhão a cada coleta, e às vezes um gráfico. Os critérios mais usados consideram positivo para SIBO um aumento de hidrogênio de pelo menos 20 ppm em relação ao valor basal dentro dos primeiros 90 minutos, e positivo para IMO um metano de 10 ppm ou mais em qualquer momento do exame. Um valor basal já alto, antes de beber a solução, sugere preparo incompleto e pode comprometer a leitura. Vale também anotar os sintomas sentidos durante o exame, porque eles ajudam a interpretar a curva.
Um resultado negativo em quem tem sintomas importantes não encerra a investigação. Ele só diz que, naquele dia e com aquele preparo, o exame não mostrou fermentação precoce.
Perda de peso sem explicação, diarreia que acorda à noite, sangue nas fezes, anemia ou febre não devem ser atribuídos a SIBO sem antes investigar outras causas, como doença celíaca e doença inflamatória intestinal.
Quem se beneficia de fazer o teste
O exame faz mais sentido quando há sintomas compatíveis e condições que favorecem o supercrescimento, como cirurgia prévia no intestino, intestino lento, diabetes de longa data ou uso prolongado de remédios que reduzem o ácido do estômago. Para quem mora em São Paulo, na Vila Olímpia ou em bairros próximos, a indicação e o preparo podem ser definidos numa teleconsulta, e o exame é feito num laboratório perto de casa.
O que a evidência ainda não resolve
Não há consenso definitivo sobre qual substrato é mais adequado, o ponto de corte nem a duração do exame, e o padrão ouro, que é a cultura do líquido do intestino delgado, é invasivo e pouco usado na prática. A relação entre SIBO e síndrome do intestino irritável também segue em estudo. O teste ajuda, mas não substitui o raciocínio clínico.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui consulta médica. Procure avaliação profissional para o seu caso; em situações de emergência, busque atendimento imediato.
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